sexta-feira, 30 de julho de 2010

Por que é Difícil Conhecer a Escolaridade do Eleitorado Brasileiro

O Tribunal Superior Eleitoral publica regularmente um perfil da escolaridade do eleitorado brasileiro. Os dados são apresentados nas tradicionais faixas de nível escolar: analfabetos; primeiro grau completo e incompleto; segundo grau completo e incompleto; superior completo e incompleto. Além da distinção lê e escreve, que imagino, sejam de pessoas que se alfabetizaram, mas sem um vínculo formal com a escola; de outro modo deveriam fazer parte da categoria primeiro grau incompleto.
O Gráfico abaixo apresenta a distribuição do eleitorado divulgada recentemente (dados de julho):



Qual é o problema com estes dados? O problema é que o eleitor declara a sua escolaridade no momento inscrição para obtenção do título (16 ou 18 anos). Ou seja, em geral quando esta no fim do ensino médio e início do ensino universitário. Isso significa que a escolaridade fica congelada. O jovem continua estudando, acaba a faculdade e no registro oficial a sua escolaridade não se altera. Ou seja, a estatística tende a subestimar a escolaridade real dos adultos.

Uma opção é simplesmente considerar a escolaridade dos adultos brasileiros. Poderíamos olhar a última PNAD para saber como se distribui a escolaridade das pessoas com mais de 18 anos e inferir que seja a mesma do eleitorado. Aqui surge um problema: o registro eleitoral não é obrigatório para analfabetos. Por isso, é razoável imaginar que uma parte deles não se inscreva para votar. Atualmente, cerca de 10% dos adultos são analfabetos. Quantos desses são eleitores? Não sabemos. Em alguns estados, sobretudo do Nordeste, com altas taxas de analfabetismo, esta distância pode ser grande.

Existiriam duas formas de sabermos a situação educacional do eleitorado brasileiro. A primeira, onerosa e pouco prática, seria fazer um recadastramento do eleitorado. Infelizmente, pelas razões apresentadas acima, no ano seguinte, os dados já começariam a ficar defasados.
A segunda opção seria incluir uma questão na PNAD sobre o tema. Bastaria indagar sobre a posse do título de eleitor, como foi feito na PNAD de 1988.

Um comentário:

  1. Prezado Jairo Nicolau,

    Concordo que seria muito interessante haver uma pergunta sobre posse de título de eleitor na PNAD. Visto que, diferente do que ocorria no passado, a PNAD coleta informação hoje em dia em mais 3500, esse dado seria muito útil. No entanto, parece não ser possível identificar o município de origem de uma observação da PNAD. Logo, seria interessante ter a pergunta sobre posse de título de eleitor na amostra do Censo. Nesse caso, seria interessante que fosse indagado também se o eleitor está cadastrado para votar no município onde reside.

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