segunda-feira, 30 de agosto de 2010

As previsões sobre a bancada dos partidos na Câmara dos Deputados

Em todas as eleições me divirto com os analistas que tentam prever o tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados. Lembram cartomantes, astrólogos e jogadores de búzios, que ao fim de cada ano, prevêem que coisas extraordinárias acontecerão com políticos e celebridades. Não são cobrados, pois os erros são tão patentes que a nova matéria sobre as previsões para o ano seguinte ficaria inviabilizada.
No Brasil, é impossível prever como ficará a bancada dos partidos na Câmara dos Deputados. Por uma série de razões. A principal delas é que o eleitor decide seu voto avaliando basicamente os atributos pessoais do candidato: virtudes, capacidade, se ele pertence ao mesmo grupo social, mora na mesma cidade. Poucos eleitores votam em partidos; em uma pesquisa com dados de 2002 estimei que apenas cerca de 20% do eleitorado vota partidariamente.
Portanto, as bancadas dos partidos em cada estado serão, sobretudo, o resultado do desempenho de seus candidatos. Dito de outra maneira, eleger muitos deputados é o resultado de ter bom candidatos.
Parece trivial. Mas alguns analistas acreditam que a disputa presidencial, para governador e o partido sejam determinantes do voto para o legislativo. Até agora não conheço pesquisas que tenham demonstrado que sejam.
Sem contar que factores como o quociente eleitoral, as coligações e presença de puxadores de voto tornam as coisas mais complicadas.
Para avivar a memória, apresento a evolução do número de deputados dos maiores partidos desde 1994, ano em que o número de deputados se fixou em 513. A única tendência inequívoca é o crescimento da bancada do PSB.

Cadeiras dos principais partidos na Câmara dos Deputados (1994-2006).



Agora se você quer impressionar os seus amigos e amigas use um truque. Pegue a bancada atual dos partidos e acrescente uns 15 deputados para mais e para menos. Você vai acertar a bancada na maioria dos partidos. Diga que tudo foi baseado em um incrível modelo econométrico. Vai ser um sucesso. E o melhor, ninguém vai lembrar de conferir.

3 comentários:

  1. Realmente, prever os resultados para as eleições proporcionais é muito complicado e adorei a sua dica para impressionar os amigos (hehehe) mas uma coisa é certa, as eleições majoritárias também puxam votos e se, por exemplo, esse ano o PT vai faturar com uma quantidade expressiva de votos, provavelmente o PT e PMDB terão mais uma vez as principais bancadas.

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  2. heheh 15 deputados para mais ou para menos é uma margem de erro muito grande, hein?

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  3. Concordo com quase tudo e achei muito boa a matéria, mas observando o gráfico dos partidos que você apresentou vi outras tendências além do PSB. O PFL/DEM, assim como o PTB, mas em menor escala, está em queda de representatividade no legislativo há mais de dez anos e muitos fatores indicam que essa tendência se repetirá este ano, o PT ao contrario tem uma trajetória ascendente visivelmente afetada pela crise de 2005.

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