domingo, 19 de setembro de 2010

Das razões do voto para deputado

Fiz uma enquete no blog para avaliar as motivações do voto para deputado federal. Oitenta e oito pessoas votaram.
Em primeiro lugar apareceu o quesito voto pessoal (voto em um nome, independente do partido) com 31% das preferências. Em segundo, empatados com 25% cada um, o voto partidário (voto na legenda ou em um candidato do meu partido) e o voto ideológico (voto em um nome que pertença ao meu "campo" político). As outras opções somaram 16%.
Os visitantes do blog são interessados em política e com alto nível de escolaridade (suponho). Por isso, os dados desta enquete não são representativos. Mas dão algumas pistas para pensar a representação política no Brasil.
Sabemos que o voto territorial (voto em alguém que representa o lugar onde vivo) é forte no interior do país. Na pesquisa apenas um visitante o considerou importante. Da mesma forma, acredito que o voto de identidade (voto em alguém com mesmos atributos do que eu), que recebeu apenas 2 votos, seja expressivo entre o eleitorado.
Uma surpresa foi o reduzido número de eleitores partidários.
Com base em uma pesquisa amostral, feita em 2002 pelo IUPERJ/Vox Populli, estimei que o contingente de eleitores partidários estaria na faixa de 15% a 20%. Neste grupo estão as pessoas que têm preferência por um partido e declaram voto para legenda ou candidato daquele partido nas eleições para a Câmara dos Deputados.
Por isso, esperava que, entre os visitantes do blog, este número seria muito mais alto.
Sabemos que o sistema eleitoral de lista aberta, em vigor no país, permite a convivência de diversas estratégias de captação de votos. Mas ainda avançamos pouco na criação de "tipos" de estratégia utilizada pelos políticos nas suas campanhas.

Em tempo
A Folha de São Paulo de hoje traz dados sobre a intenção de voto para a Câmara dos Deputados em oito Unidades da Federação. A pesquisa foi feita nos dias 8 e 9 de setembro. O percentual do eleitorado que já sabe em quem vai votar para deputado federal é muito reduzido: varia entre 39%, em Pernambuco, e 29%, no Paraná.
Os deputados federais que tentam a reeleição passaram os quatro anos procurando prestar contas de suas atividades. Os candidatos que concorrem em cada estado estão há dois meses fazendo campanha de rua. O horário eleitoral apresenta os nomes dos federais três vezes por semana e em centenas de inserções ao longo do dia no rádio e televisão.
Tudo isso para somente 1/3 dos eleitores terem efeito a sua escolha.
O pior é que as pesquisas feitas daqui alguns meses mostrarão que boa parte dos eleitores já haverá esquecido da sua escolha.
Temos que pensar com mais calma a respeito dos mecanismos de controle eleitoral e de prestação de contas (accountability) deste sistema.

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