quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Evolução dos votos válidos e incertezas de decisão no primeiro turno

Vale a pena observar a evolução dos resultados das pesquisas eleitorais observado apenas os votos válidos.
A pesquisa do Datafolha publicada hoje mostra três novidades:
1. É a primeira vez, depois de 40 dias, que Serra sobe.
2. É o melhor desempenho obtido por Marina (14% dos votos válidos) desde que a campanha começou
3. Dilma oscilou para baixo e ficou próxima aos patamares obtidos no mês de agosto.



Caso a eleição fosse hoje, a vitória de Dilma no primeiro turno não estaria assegurada. Por três razões:
1. A oscilação estatística dos resultados. Infelizmente, as pesquisas por quota, feitas pelos institutos de pesquisa no Brasil, não nos permite calcular a incerteza dos resultados. Por isso, não falo de margem de erro nas postagens.
Mas a variação estatística é uma das premissas da pesquisa por amostra. Existe, mas não podemos dimensioná-la com a precisão de uma pesquisa probabilística.
2. A variação no comparecimento afeta os resultados. Neste ano, a abstenção deve cair, pois nas eleições presidenciais os eleitores poderão votar fora do seu domicílio eleitoral. Mas não sabemos previamente os efeitos desta nova regra.
Outro fator importante é a exigência de um documento com foto para votar. Também é impossível saber se este medida afastará alguns eleitores (sobretudo os mais pobres) das urnas.
3. O contingente de votos anulados por erro. O número de eleitores que declararam que vão votar em branco ou anular na pesquisa do Datafolha de hoje é de 4%. A menor taxa em uma disputa presidencial foi de 8%.
Não há como dimensionar quantos eleitores ainda erram na hora de votar.

5 comentários:

  1. Caro Jairo,

    não perca sua credibilidade analisando o DataFolha. A mesma quase sempre representa a realidade, pois o instituto está a serviço de uma candidatura, a do Serra.

    Até o mundo mineral sabe disto. Logicamente estão jogando no desespero para tentar ajudar seu candidato e levar o escrutínio para um impossível segundo turno.

    Não vale nada. A Folha é uma empresa que visa somente o lucro e quer o favor de governantes para tê-lo. Tem assinaturas de jornais com o Estado de SP, tem uma gráfica que está doida para pegar a impressão dos livros didáticos do governo federal. Dá para entender por que se empenha tanto e compromete a credibilidade do seu instituto de pesquisa. É muito dinheiro em jogo.

    Tanto é verdade que tanto a pesquisa Ig/Vox diária como a periódica da Vox de hoje mantiverma o óbvio: Dilma e Serra estabilizados em 51 e 24, e Marina subindo para 10. Este instituto e no Sensus pode acreditar, pois precisam fazer o nome. O Ibope desconfie pois o Montenegro está ainda no esquema com a Globo junto com o Datafolha, se bem que o mesmo está querendo se safar agora que a vaca foi para o brejo.

    Um abraço,

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  2. Errata do post anterior:

    No lugar de: "A mesma quase sempre representa a realidade" substituir por "A mesma quase sempre não representa a realidade".

    Abc,

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  3. No meu argumento o menos importante é o valor do Datafolha. Ele permanece com os valores do Sensus e do Vox.
    Pesquisas foram desenhadas para captar um intervalo na qual a estimativa real deve estar. Não podemos estimar com pesquisas por quota.
    Além disso, chamei atenção para aspectos técnicos do voto e como eles podem alterar os resultados. Ponto.
    Trabalho com dados eleitorais há muitos anos. Conheço os institutos e seus interesses.
    Fundamental para mim é não confundir minhas preferências com as evidências.
    Por isso, criei o blog. Vamos esperar mais dados.
    Não se preocupe com eventuais manipulações dos pontos de uma pesquisa. Temos evidências de sobra de que pesquisas pouco influem na decisão do voto...

    PS: dados de tracking servem para campanhas, mas não são metodologicamente seguros para análises mais profundas.

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  4. Jairo, por que incerteza dos resultados não pode ser calculada? e por que não pode ser dimensionada com a precisão de uma pesquisa probabilística? queria entender. Abraço

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  5. Pesquisa por quota não corresponde a uma pesquisa probabilística. Não temos amostra aleatória, sob a qual é possível presumir certos padrões de distribuição (como a normal). Por isso a medida "incerteza dos resultados" é mais duvidosa ainda. Certos teoremas estatísticos são aplicados a amostras probabilísticas, presumindo-se algum tipo de distribuição, o que não é o caso de amostragem por quotas, ainda mais quando os critérios para estabelecer as quotas são, no máximo, probabilísticos. Ah, não dá para esquecer que há institutos que sequer pesquisem ao nível de setor censitário, com critérios aleatórios e sistemáticos, mas sim em pontos de fluxo - e durante horário comercial!

    Então professor, há uma expectativa estranha quanto à exigência de dois documentos. Sobre isso, o PT acabou de ajuizar uma ADIN.

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