segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O declínio dos votos nulos e em branco nas eleições presidenciais

O alto contingente votos nulos e deixados em branco sempre foi uma característica das eleições brasileiras. Nas eleições legislativas dos anos 1980 a taxa de votos inválidos chegou perto de 50% em alguns estados.
Um fator que contribuía para a alta taxa de votos brancos e nulos era a dificuldades da cédula de papel. Para votar para o Executivo, a dificuldade não era tão grande: bastava fazer um (X) ao lado do nome do candidato. Mas o voto para o Legislativo exigia que o eleitor escrevesse o nome do seu candidato em um espaço na cédula. Uma desafio e tanto para os eleitores com reduzida escolaridade.
Por incrível que pareça, a urna eletrônica facilitou o voto dos eleitores com baixa escolaridade. É muito mais fácil digitar números do que escrever nomes. O teclado da urna eletrônica tem a mesma disposição do teclado do telefone. E não devemos esquecer: hoje os eleitores mais pobres tem que digitar sua senha no banco para receber os benefícios do Bolsa Família.
O gráfico abaixo apresenta o percentual de votos inválidos (nulos +em branco) no primeiro turno das eleições presidenciais por Região.




É interessante observar a reduzida taxa de brancos e nulos em 1989, a única disputa presidencial isolada. Naquele ano, o eleitor compareceu às urnas apenas para fazer um (x) ao lado do nome do candidato a presidência.
Os dados revelam duas boas notícias. A primeira é que a taxa vem caindo, desde 1994, em todas as Regiões do país. A segunda é que, embora o Nordeste tenha sempre a taxa mais acentuada, a diferença para as outras regiões é cada vez menos acentuada.
Lembre que o voto para presidente é o último na urna eletrônica. Escolha que confunde uma parte dos eleitores, que imagina que o primeiro voto é para presidente. Um eleitor afoito que teclar, por exemplo 13 e confirmar, pensando estar votando na Dilma, ajudará o voto de legenda do PT para estadual.

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