quarta-feira, 8 de setembro de 2010

São Paulo e Dilma Rousseff

Coluna Publicada hoje no O Estado de São Paulo:

Muitos analistas acreditavam que a disputa presidencial deste ano, entre Dilma Rousseff e José Serra, reproduziria o padrão territorial das eleições de 2006. Naquele ano, no primeiro turno, Alckmin venceu nos três estados da Região Sul, em São Paulo e no Centro-Oeste. Lula venceu no Nordeste, no Norte e nos outros estados do Sudeste.
As pesquisas feitas até meados de agosto deste ano mostravam que, em linhas gerais, o padrão se mantinha. Dilma vencia por ampla margem no Nordeste e no Norte e mantinha a dianteira em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Serra vencia no Sul e em São Paulo. Esta distribuição de votos garantia uma posição de equilíbrio, com uma pequena vantagem pró-Dilma.
A larga vantagem que Dilma abriu nas pesquisas, a partir do mês de agosto, está associada ao fato de ela ter passado a vencer nos estados da Região Sul e em São Paulo. O que ninguém imaginava é que a candidata do PT teria uma vantagem tão ampla um mês antes das eleições. Na última pesquisado Datafolha (2 e 3 de setembro) Dilma obteve 44% das preferências e Serra 36%.
São Paulo tem sido um estado central nas eleições presidenciais por uma série de razões. Além da mais óbvia delas - a densidade econômica e populacional - , o estado tem as seções mais poderosas dos dois principais partidos que governaram o país na última década e meia, PSDB e PT. Em 1989, cinco candidatos tinham domicílio eleitoral no estado: Lula, Mário Covas, Paulo Maluf, Guilherme Afif e Ulisses Guimarães. As disputas seguintes foram entre Lula e algum nome da seção paulista do PSDB: Fernando Henrique, Serra e Alckmin.
Lula participou de oito disputas presidenciais. Só foi vitorioso em São Paulo no primeiro e no segundo turno em 2002, quando disputou contra José Serra. Nas outras seis vezes, venceram Collor (primeiro e segundo turno de 1989); Fernando Henrique (primeiro turno de 1994 e 1998) e Alckmin (primeiro e segundo turno de 2006).
Os resultados das cinco eleições presidências realizadas em São Paulo podem ser vistos no Gráfico. Observe a ampla vantagem de Lula sobre Serra em 2002, única ocasião em que o candidato petista venceu no primeiro turno em São Paulo.


Talvez por conta deste retrospecto, ninguém imaginaria a boa performance de Dilma no estado. Afinal, se Lula sempre teve dificuldades, o que poderíamos esperar de uma candidata do PT, que não fez carreira no estado? Sobretudo, porque ela é adversária de um nome forte da política paulista, que já foi prefeito da capital, governador do estado e candidato à presidência.
Precisamos mobilizar os estudiosos do comportamento eleitoral dos paulistas para responder a duas questões: Quais motivos fizeram Dilma crescer tão rápido em São Paulo? Por que um ex-governador de estado que saiu do governo com alta popularidade está perdendo em seu estado natal? Faltam muitos dias para as eleições. E muita coisa pode acontecer até lá. Mas o crescimento fulminante de Dilma em São Paulo é um fenômeno. Talvez um dos maiores deste ano.

Um comentário:

  1. Professor,
    talvez a estratificação do voto por grupos socioeconômicos traga alguns esclarecimentos. Acredito na hipótese (um tanto óbvia) de que as camadas mais pobres têm a intenção de gratificar com o seu voto a candidata governista, dado o alto nível de satisfação pelos ganhos econômicos que tiveram nos últimos anos.
    Todos os dados apresentados até agora pelos institutos de pesquisa levam a crer na tese do voto econômico ou do voto retrospectivo.
    E isso é válido também para São Paulo.

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