sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Os institutos de pesquisa e suas razões

Confesso que fiquei frustrado com as entrevistas dos dirigentes dos institutos de pesquisa que li na imprensa.
Nenhum reconhece que podem ter acontecido problemas de campo, na amostra, ou devido ao uso de quotas.
Sempre a explicação para os eventuais imprecisões se resume a três pontos:
- A existência uma onda de opinião publica incapaz de ser dimensionada. Esses institutos não fazem pesquisas diárias? Não tem estatísticos trabalhando? Não são capazes de simular, de modelar matematicamente a velocidade de subida dos candidatos?
- A abstenção maior em áreas pobres. Pode ter acontecido. Mas não vi evidências seguras para isso. E me ajudem: a boca-de-urna não é feita com quem foi votar? Neste caso, a abstenção já foi controlada.
- Os institutos acertam mais do que erram. Pode ser verdade. Mas precisamos de um inventário das pesquisas estaduais dos institutos para ver se isso aconteceu este ano.
O erro é uma premissa da pesquisa amostral. E o problema não é que se erre. O que me impressiona é que os institutos nunca estejam dispostos a discutir suas opções técnicas.
Pensando bem: não seriam os estatísticos dos institutos que deveriam estar dando as entrevistas? Onde eles estão?

Passada as eleições municipais de 2008 fiz um balanço das pesquisas de opinião em uma coluna que assinava na Veja.com.
Só hoje lembrei deles. Pode interessar a quem acompanha a discussão sobre o papel das pesquisas no Brasil.

3 comentários:

  1. A única desculpa plausível é abstenção em áreas pobres. Eu explico o porquê:

    Imagine uma cidade com dois bairros iguais em população. Um pobre e um rico. O instituto dividirá em números iguais os questionários. Digamos 1000 em cada. Se 30% dos eleitores do bairro pobre não aparecer pra votar, ainda assim os 1000 questionários serão respondidos. Acontece que os institutos não saberão que o peso desta parcela da população deveria ser diminuído em 30%. Logo, o resultado do bairro pobre será supervalorizado.

    Portanto, a abstenção não é controlada na boca de urna. Porque o peso e o números de questionários de uma dada região são estabelecidos previamente.

    Parabéns pelo blog

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  2. Aqui tem uma coisa bem interessante sobre as pesquisas eleitorais, vale a pena ler:

    http://bayesruleskishtables.blogspot.com/2010/10/incoerencia-das-margens-de-erro-nas.html

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  3. eu simulei um cenário em que a abstenção no nordeste fosse a mesma observada no sul e, mesmo assim, a dilma não ganharia nem se supuséssemos que 80% dos votos "adicionais" fossem para ela. parece ser questão de desenho amostral mesmo

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