segunda-feira, 11 de junho de 2012

O basômetro

O nome soa um pouco estranho: basômetro. Mas trata-se de um excelente instrumento para conhecer como os deputados federais e senadores comportaram-se nas votações nominais realizadas no Congresso durante o Governo Dilma. O basômetro mostra o grau de apoio dos parlamentares às proposições legislativas que interessam ao governo. Cada parlamentar (e partido) é avaliado segundo o percentual de vezes em que ele votou da mesma maneira que o líder do governo. Talvez chamá-lo de apoiômetro seria mais correto; mas o nome soaria ainda pior.

O basômetro foi criado por um grupo de jornalistastas do Estado de São Paulo. Diferente dos bancos de dados e dos gráficos tradicionais, que funcionam de forma estática,  o basômetro é um instrumento completamente interativo. E segue a tradição de instrumentos semelhantes criados pelos melhores jornais do mundo (particularmente o New York Times). É certamente a melhor  visualização dinâmica de dados já criada no Brasil.

O leitor pode conhecer o grau de apoio ao governo segundo quatro diferentes unidades de análise: o partido (coluna esquerda da imagem abaixo), o estado (coluna direita), o parlamentar (representado pelas pequenas bolinhas do gráfico) e as bancadas temáticas (ruralistas, ambientalstas e evangélicos). Quem apertar a tecla no canto inferior da imagem observará o posicionamento dos deputados em cada uma das votações; como eles mudam bastante, o que temos é uma verdadeira "dança das bolinhas" ao longo do tempo.



Para os estudiosos existe ainda a possibilidade de baixar os dados. Basta descer a página clicar e os dados são importados para o computador em uma planilha Excel.

Por todas estas razões o basômetro já consta da lista de predileitos da minha barra de navegação.
 
Mas depois de passar um bom tempo navegando no basômetro fiquei com a sensação de sua principal virtude (a possibilidade de obtenção de diferentes formas de dados) é também seu principal problema. Ele é um instrumento fantástico, mas não é simples. O leitor tem que lidar com muitas informações: entender o que são os percentuais, que as cores representam os partidos, que o movimento das telas refere-se a passagem de uma votação para outra. A opção de colocar tantas informações na mesma tela tornaram a navegação complexa e certamente reduzirá a abrangência do basômetro.

Um último comentário mais prosaico. Imagino que os criadores do basômetro tenham feito todos os testes com relação ao fundo de tela. Mas não creio que o fundo preto seja a melhor opção. Acredito que o fundo branco, por exemplo, poderia produzir uma visualização muito mais eficiente.

Em uma próxima postagem vou tratar de um tema que merece mais atenção: o papel das ausências no cálculo do índice de apoio usado pelo basômetro.

 

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Fiquei muito feliz ao saber que o seu blog está de volta, Jairo.

    Acho que o Basômetro foi um passo gigantesco no jornalismo político brasileiro, colocando-o num patamar jamais visto. Vi alguns colegas criticando o Basômetro, dizendo que ele não trás nada novo, que existem outras bases de dados maiores, mais abrangentes, com tratamento estatístico mais sofisticado e etc. Entretanto, não adianta ter uma produção acadêmica melhor se ela é inacessível para o grande público. Enfim, como aprendido na sua última disciplina no IESP, investir na visualização de Dados não serve apenas para melhorar a estética dos trabalhos, mas também para dar mais clareza e consistência à argumentação. Acredito que a Ciência Política pode contribuir bastante para enriquecer o debate público nacional, mas para isso precisamos ser menos herméticos e mais atraentes ao grande público. Essa é a lição que fica do Basômetro.

    Abraços,
    Saulo Said.

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  3. Salve Saulo,
    Precisamos distinguir o que é uma base de dados para uso acadêmico (desenhada para responder problemas científicos) das ferramentas criadas para divulgação de dados. O basômetro, como diversos instrumentos semelhantes inventados nos últimos anos, é um exemplo do segundo tipo.
    Um aspecto muito importante é sua interatividade. É muito bom que o cidadão que gosta de política possa ter acesso rápido a informações sobre como seu parlamentar (ou partido) tem votado.
    abraço,
    Jairo

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  4. Prof. Jairo Nicolau,
    Fico feliz que tenha colocado seu blog de volta a ativa.
    Gostaria de fazer uma sugestão: poderia postar algo sobre outros blogs de ciência política, tanto nacionais quanto internacionais?
    Estava discutindo outro dia com colegas sobre o fato de termos poucos blogs de qualidade em Ciência Política, e os motivos pelo qual isso ocorre.
    Seu blog é uma importante contribuição para a Ciencia Politica nacional, como um respiro um bom espaço para a discussão pública sobre o que estudamos.
    Abraços

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  5. Rodrigo,
    Obrigado.
    Em breve faço uma postagem sugerindo alguns blogs de cência política.
    Obrigado
    Jairo

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