quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estatística e Futebol: Disputa por Pênaltis

Será que existem times realmente mais eficientes em converter e (ou) defender pênaltis? Ou quem sabe, trata-se mesmo de um fenômeno aleatório, em que as vitórias em uma disputa são anuladas por futuras derrotas? Afinal, não tem sempre um locutor a nos lembrar que "pênalti é loteria" ou que não existe muita diferença entre a disputa por pênaltis e um "cara-ou-coroa".

Sempre tive vontade de conhecer estatísticas sobre o desempenho dos times (e das seleções nacionais) nas disputas por pênaltis. Após a eliminação da seleção inglesa da Eurocopa 2012, o Guardian foi em busca de dados para ver se havia algo realmente singular com o desempenho da seleção nacional. As informações foram coletadas junto à FIFA, à Rec Sport Soccer Statistics Foundation e às confederações de futebol dos continentes. 

Embora os dados tenham sido coletados para fins jornalísticas e não possam ser considerados oficiais, eles oferecem um bom quadro do desempenho da seleções. Segundo o levantamento, 33 países participaram de alguma disputa por pênaltis. O Brasil, a Argentina e o México foram os países que mais participaram (10 vezes cada um).

Utilizei os dados do Guardian para montar os gráficos abaixo (aproveitei e atualizei os de Portugal e  Espanha após a partida pela Eurocopa).

É importante salientar que o desempenho das seleções com menos tradição deve ser visto com cuidado. Não só pelo fato de terem  disputado basicamente jogos pelos campeonatos continentais, mas também por razões estatísticas. Em geral, com um número de casos reduzido, os dados ficam mais vulneráveis a processos particulares. Pense, por exemplo, em uma seleção que participou de apenas uma disputa e marcou todos os gols, enquanto o time adversário perdeu dois pênaltis. Isso já bastaria para colocá-la no banco analisado como a melhor do planeta. 

O gráfico abaixo apresenta o percentual de pênaltis convertidos pelas seleções. A média de acertos é de 76%. Apenas a seleção da República Checa converteu todos os pênaltis (total de 20) que bateu. A seguir aparecem a Alemanha e a Dinamarca com 93% de acertos; a Alemanha converteu 26 das 28 penalidades que cobrou. O desempenho do Brasil se aproxima da média (75% de acertos); das 48 cobranças feitas por jogadores brasileiros, 36 foram convertidas. A Inglaterra tem o terceiro pior desempenho (apenas 66% de acertos); das 35 penalidades batidas, os ingleses perderam 12.


O gráfico abaixo mostra o percentual de penalidades cobradas contra cada equipe e que não entraram em gol; ou seja, foram para fora ou foram defendidas pelo goleiro. Para facilitar, elas foram chamadas de defendidas. A média é de 24%. A seleção mais eficiente em defender pênaltis é a dos Estados Unidos (não tenho a mínima desconfiança das razões): das 23 penalidades cobradas contra o país, 16 não entraram. Neste quesito, o Brasil está levemente melhor do que a média (33%  pênaltis defendidos); das 47 penalidade batidas contra o gol brasileiro, 15 não entraram.


O último gráfico apresenta a taxa de vitórias de cada seleção. A média é de 50%. Apenas duas seleções ganharam todas as disputas que participaram: a Arábia Saudita (4 vezes) e a República Checa (3 vezes). A Alemanha venceu 5 das 6 disputas que participou (83%). O Brasil e a Argentina venceram 6 das 10 vezes em que foram para os pênaltis. O fiasco inglês é inquestionável; o país perdeu 6 em 7 disputas.


Em resumo: melhor não ter que encarar os alemães nos pênaltis. E se os ingleses aparecerem é melhor acreditar na força dos números.

Um comentário:

  1. Blogão da Eleição - Uma maneira bem humorada de vermos as eleições de São Paulo - De olho no candidato e boca na enganação - http://www.blogaodaeleicao.com

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