domingo, 15 de julho de 2012

Renda e cor nos bairros do Rio de Janeiro

Acabei de receber alguns resultados do Censo de 2010, com dados da cidade do Rio de Janeiro. Por enquanto, obtive apenas a estatística da renda média (rendimento nominal médio mensal das pessoas com mais de 10 anos de idade) e da cor da população por bairro. Óbvio que fiquei curioso por saber em que medida estas duas variáveis estão associadas; por exemplo, será que existe alguma relação entre o percentual de população branca e a renda de um determinado bairro?

A cidade do Rio de Janeiro é composta por 160 bairros.  O bairro com menor renda média é a Mangueira (500 reais) e o com a maior renda média é a Lagoa (6.120 reais). 

A cor da população dos bairros também varia intensamente. Se tomarmos, por exemplo, o percentual de população branca, os bairros que aparecem nos extremos são os mesmos: a Mangueira tem o menor percentual de população branca (24,2%); no outra ponta aparece novamente a Lagoa, com 92,2% de população branca. 

O gráfico abaixo dispõe os bairros (cada uma das esferas) nestes dois eixos. Embora eu seja morador do Rio e sabedor da segmentação social que acompanha a sua história, não esperava encontrar uma associação tão avassaladora. Em termos estatísticos foi uma das mais intensas que lembro já ter visto (para quem gosta de estatística, o R2 da associação mostrada no gráfico é de 0,90).


Observe que a relação não é linear (aliás, fora dos livros de estatística, as relações puramente lineares não são tão comuns): a renda cresce até que o bairro tenha cerca de 60% - 70% de população branca. A partir deste patamar, a renda cresce intensamente quando se compara bairros com níveis semelhantes de população branca.  

Para facilitar a visualização coloquei apenas os nomes de alguns bairros. Chama a atenção o Cosme Velho (para quem não é do Rio, é o bairro onde fica sediado a subida do bondinho para o Cristo Redentor), com uma população branca muito menor do que a esperada. Talvez, o fato de o bairro ter um dos maiores contingentes de moradores em favela (40%) ajude a explicar esta discrepância.


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