quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Margem de erro nas pesquisas eleitorais

Todo a campanha é sempre tudo igual. As pesquisas começam e dou um jeito de escrever alguma coisa sobre a "margem de erro". Para manter a tradição, não custa lembrar:


1. As pesquisas por amostragem não foram inventadas para acertar um resultado "na mosca". Elas nos oferecem um intervalo no qual o dado encontrado na amostra, provavelmente, está na população. No lugar de  dizer: Celso Russomanno tem 27% dos votos; o mais correto seria dizer:  Russomanno está em algum lugar entre 24%  e 30% (com uma margem de erro de 3 pontos percentuais).
Não imagino os locutores da TV anunciando os resultados das pesquisas assim. Talvez, confundissem mais ainda. Mas para quem acompanha e estuda as pesquisas é fundamental não cair na tentação (muito comum) de acreditar que o candidato está realmente em 27%.


2. Aprendi que pesquisas por quota - como as feitas pelos institutos brasileiros - não deveriam apresentar a margem de erro, procedimento criado apenas para pesquisas aleatórias. Há anos estou atrás da justificativa estatística para que os institutos brasileiros continuem a empregar a margem de erro. Quem puder ajudar, eu agradeço.
Para quem quiser mais detalhes, leiam o texto, que não me canso de divulgar: "A falsidade da margem de erro nas pesquisas eleitorais baseadas em quotas", escrito pelos dos estatísticos José Ferreira de Carvalho e Cristiano Ferraz.

3. Pelo fato de as pesquisas lidarem com uma estimativa que está em um amplo intervalo, é um preciosismo divulgar os dados com casas decimais. Uma pesquisa divulgada hoje, por exemplo, diz que Humberto Costa está com 31,1% das preferências e Geraldo Júlio com 22,2%. Um caso de falsa precisão.

4.  Lembre-se que a margem de erro divulgada (em geral de 3 pontos) refere-se à máxima da pesquisa; ou seja, serve para o candidato com maior percentual. Na realidade, cada candidato tem uma margem de erro particular, segundo o percentual que ele obteve na pesquisa.
Em uma pesquisa probabilística (1.000 entrevistas) a margem de erro de um candidato com 32%, por exemplo, é de 2.9%. Já para um candidato com 8%,  a margem de erro é de 1,7%. 
De outro modo, um candidato com 2% poderia, com uma margem de erro de 3% estar com -1%! (de fato ela é de 1.1%). 

5. Nunca diga que um candidato subiu ou desceu entre duas pesquisas sem antes observar as margens de erro. Quase sempre as mudanças estão dentro da margem. A variação acentuada de uma pesquisa não são tão frequentes. Pelo menos, não antes que a campanha comece a mobilizar os eleitores. 

6. Em resumo: veja as pesquisas, se divirta, torça para seu candidato subir... E só.




6 comentários:

  1. Jairo, o link para o texto sugerido está quebrado, talvez exista algum erro na inserção dele.
    Ah, e realmente, já vi você explicando mais de uma vez sobre isto, em lugares distintos. Mas é esse assunto confunde mesmo.

    Abs.

    Rodrigo.

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  2. Rodrigo,
    Meus assuntos são poucos... Acabo me repetindo!
    Acertei o link.
    obrigado.
    Jairo

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  3. Legal o post mas não podemos esquecer que quando não divulgamos os decimais podemos ser traídos pelos arredondamentos (as vezes soma-se 101 ou 99). E quando isso acontece os críticos não perdoam os institutos. Abs. Malco

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  4. Malco,
    Bom ponto. Já passei por isto: as pessoas acham que a pesquisa está errada se o somatório das respostas não chegar a 100%.
    abs
    Jairo

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  5. Jairo
    O pior das pesquisas divulgadas pelos meios de mídia é justamente a "falsa" previsão e o dado de certeza que elas implicitamente podem trazer ao espectador. TV não é o lugar da explicação, mas da, digamos, "velocidade". O fato técnico da amostragem por cota não comportar margem de erro me parece a forma dos meios de mídia dizer que eles podem "errar". Seu item 4 é realmente muito importante, mas é mais complexo ainda para ser explicado ao leigo - ou para candidatos que contratam pesquisa, aqueles que vc também conhece ... rsrsrs.
    Outro dia escrevi que anos eleitorais produzem um efeito curioso: durante quase quatro anos a política é defenestrada ao limbo e ao reino das ações criminosas. Mas, perto das eleições, a paixão ganha as ruas e a institucionalidade e rotatividade eleitoral vão ganhando força. Ainda não entramos no império da indiferença ... Pesquisas são um tema desta paixão.
    Grande abraço
    Eduardo

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  6. É como fazer estatísticas da falência soviética. O sistema eleitoral é viciado por princípio. Vamos dizer que o sufrágio popular só poderia ter algum efeito positivo NA ELEIÇÃO PARA PREFEITO E VEREADOR, no resto, é comandado por currais eleitorais sustentados por dinheiro, CONTROLADO PELOS BANQUEIROS. Então o que se apura são "dados probabilísticos" decorrentes de levantamentos quando não viciados, SOBRE O QUE DE FATO NÃO PRESTA.Probabilidade é apenas matemática, SE ENTRA MERDA, SAI MERDA.O economês se especializa em apresenta continhas matemáticas, como se fosse estatística do que quer que seja. Um sistema viciado, produz dados também viciados.O fato é que o sistema é viciado pelo sistema ancestral e arcaico de "cacique e seus pajés", CUJA FUNDO MORAL É "MENTIR PARA GOVERNAR". O resto é bla bla bla de economês para inglês ver. arioba

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